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Monteiro Lobato: O saci (1921) - 1ª Versão

O saci (O sacy, na grafia da época) é um livro infantil do escritor brasileiro Monteiro Lobato, publicado originalmente em 1921.

A narrativa volta aos personagens apresentados em A menina do narizinho arrebitado (1920). Nessa nova obra, o autor apresentou ao seu público um novo personagem, Pedrinho. O garoto é um primo de Narizinho, também neto de Dona Benta, que mora na cidade e vem passar as férias no sítio da avó. Após conversar com Tio Barnabé, Pedrinho decide capturar um saci. E seguindo as instruções de Tio Barnabé, ele consegue realizar a façanha. Assim, ele acompanha o folclórico ser no mistério da noite na floresta, onde consegue ver outros sacis, e ocultamente, um lobisomem, uma mula sem cabeça e a Iara. "Pedrinho e o Saci, após verem o ninho da sacizada, o lobisomem e a mula sem cabeça, resolvem, para satisfazer a curiosidade do menino, visitar a Cuca. Chegando à caverna da megera, surpreendem-na comendo uma criança (...). Após uma série de peripécias, aproveitando-se do sono profundo que, após o jantar, acomete o papão feminino, Saci e Pedrinho consegue subjugá-la, enrolando-a em um firme novelo de cipós. Para acordá-la, os dois se valem um recurso bastante truculento: espancam-lhe a cabeça com dois porretes, fazendo-a urrar de dor. Vencida, a Cuca se vê obrigada a regurgitar a criança engolida (...): era Narizinho." (CAMARGO, Evandro do Carmo. Algumas notas sobre a trajetória editorial de O Saci. In: LAJOLO, Marisa; CECCANTINI, João Luís (Orgs). Monteiro Lobato, livro a livro: Obra infantil, p. 91. São Paulo: Editora UNESP: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2009)

Note-se que a cena descrita acima para a aventura na caverna da Cuca é totalmente diferente da que é lida nas edições atuais de O Saci: Narizinho não é comida e sim transformada em pedra, no momento do sono a Cuca é amarrada e colocam ela debaixo de um pingo d'água e após essa situação começar a lhe causar dor, ela conta como desencantar Narizinho. Essa nova descrição começou a aparecer após 1932, logo após Monteiro Lobato começar a reformular sua obra infantil com a publicação de Reinações de Narizinho. O saci também foi reformulado, passando de 38 páginas para 121 páginas e de 9 capítulos para 33 capítulos.

Nessa ampliação da obra, Pedrinho entra em contato com alguns animais da floresta, como a onça e a sucuri. Além disso, na misteriosa noite da floresta, outros seres folclóricos (os "duendes da floresta") são vistos pelo garoto após a meia noite: o jurupari, o curupira, o boitatá, o negrinho do pastoreio, a porca dos sete letões e a caipora. Nas edições da década de 1930, ainda aparecia o cauré, o uirapuru e o urutau.

Nessa postagem, as capas visualizadas são da primeira versão de O saci, entre 1921 e 1931, antes da ampliação ocorrida em 1932. Quanto as capas publicadas a partir de 1932, serão disponibilizadas em uma postagem posterior.

Monteiro Lobato: Fábulas de Narizinho (1921) e Fábulas (1922) - 1ª Versão

Fábulas de Narizinho - Fábulas - Monteiro Lobato
Google Fotos: Monteiro Lobato
Fábulas de Narizinho (Fabulas de Narizinho, na grafia da época) foi um livro direcionado ao público infantil publicado pelo escritor brasileiro Monteiro Lobato em 1921. Nele, o escritor reuniu 29 fábulas clássicas dos fabulistas Jean de La Fontaine (1621-1695, França) e Esopo (620 a.C.-564 a.C., Grécia), destacando as lições de moral de cada fábula em itálico.

Apesar do título, a personagem Narizinho (criada meses antes no livro A menina do narizinho arrebitado) não aparece no livro. Possivelmente, Lobato apenas utilizou o nome da personagem no título para efeitos comerciais, devido ao grande sucesso do livro anterior. Já no ano seguinte, em 1922, o autor publicou uma edição ampliada do livro acrescentando outras 48 fábulas (totalizando 77), algumas de sua própria autoria. Para esse novo lançamento, Monteiro Lobato descontinuou o título "Fábulas de Narizinho", utilizando apenas Fábulas (Fabulas, na grafia da época) no título.

É interessante notar que as edições de Fábulas publicadas a partir de 1943 teve toda uma reformulação realizada. Em 1943 os personagens da literatura infantil de Monteiro Lobato, o pessoal do Sítio do Picapau Amarelo, já estavam totalmente consolidados na literatura brasileira, e por essa razão, ao invés de apresentar apenas o texto nu e cru das fábulas, Lobato colocou a personagem Dona Benta como narradora das fábulas, enquanto que os outros personagens do Sítio (Narizinho, Pedrinho, Emília, Visconde de Sabugosa e Tia Nastácia) comentavam sobre as fábulas narradas, tornando o texto mais dinâmico. Essa é a versão do livro publicada até os dias de hoje. Para essa postagem, o blog Capas de Livros Brasil considerará apenas as capas de Fábulas publicadas antes de 1943 (por isso o título da postagem traz a expressão "1ª Versão"). Quanto as capas publicadas a partir de 1943, já com os personagens do Sítio do Picapau Amarelo, serão disponibilizadas em uma postagem posterior.

Lobato já havia manifestado o desejo de reunir em um livro as clássicas fábulas em uma carta enviada a seu amigo Godofredo Rangel em 1916. A carta dizia: "Ando com várias idéias. Uma: vestir à nacional as velhas fábulas de Esopo e La Fontaine, tudo em prosa e mexendo nas moralidades. Coisa para crianças. Veio-me diante da atenção curiosa com que meus pequenos ouvem as fábulas que Purezinha lhes conta. Guardam-nas de memória e vão recontá-las aos amigos – sem, entretanto, prestarem nenhuma atenção à moralidade, como é natural." [fonte: livro A barca de Gleyre - 2º Tomo, editora Brasiliense, 1956]

Logo após a apresentação das capas de algumas edições dos livros, apresento o nome de cada fábula apresentada nas obras.


Monteiro Lobato: A menina do narizinho arrebitado (1920) e Narizinho Arrebitado (1921)

a menina do narizinho arrebitado monteiro lobato
Google Fotos: Monteiro Lobato
A menina do narizinho arrebitado foi o primeiro livro infantil publicado pelo escritor brasileiro Monteiro Lobato, em dezembro de 1920, pela editora Monteiro Lobato & Cia. O livro foi incorporado posteriormente, em 1931, no livro As reinações de Narizinho

Em A menina do narizinho arrebitado, Monteiro Lobato apresenta pela primeira vez seus personagens do Sítio do Picapau Amarelo que se consagrariam posteriormente: a garota Lucia (ou Narizinho Rebitado), sua boneca de pano Emília, sua avó de 70 anos (que nesse primeiro livro ainda não tem nome) e a cozinheira Tia Anastácia. É interessante notar que nesse primeiro livro a boneca Emília ainda não fala, diferente de edições posteriores do mesmo livro e de outros livros com a personagem. 

Monteiro Lobato republicou a história em duas partes na sua "Revista do Brasil", nas edições de janeiro e fevereiro de 1921, logo após seu lançamento com livro em dezembro de 1920. Na revista a história foi publicada com o título "Lucia ou A menina do narizinho arrebitado". O livro foi um sucesso em sua primeira edição e isso empolgou o editor Monteiro Lobato. Por essa razão, ele reescreveu o livro, acrescentando muitas novas histórias (o número de páginas aumentou para 181, ante 43 da edição original). Assim, a boneca Emília começa a falar após tomar uma pílula do Doutor Caramujo e a avó de Narizinho ganha um nome, Dona Benta. 

Enquanto a obra original era cheia de ilustrações coloridas (o subtítulo da obra era "Livro de Figuras"), a nova edição ampliada era de um custo menor, sem gravuras coloridas e em papel jornal. Isso se deve porque Monteiro Lobato decidiu alcançar o público escolar, um dos maiores consumidores de livros infantojuvenis. O livro foi lançado em abril de 1921 com um novo título simplificado Narizinho Arrebitado e subtítulo "Segundo livro de leitura para uso das escolas primárias". Com a publicação de Narizinho Arrebitado, Monteiro Lobato arriscou como editor, já que, ao invés de imprimir os 5 ou 10 mil exemplares que já seria uma tiragem alta para a época, ele imprimiu 50.500 exemplares! Ele distribuiu 500 cópias para as escolas paulistas e o livro fez sucesso entre os alunos. Quando o governador do estado, Washington Luís, visitou algumas escolas e ficou impressionado com o interesse das crianças no título, solicitou a seu Secretário do Interior, Alarico Silveira, que entrasse em contato com o escritor e comprasse o livro para todas as escolas paulistas. Quando Lobato perguntou ao secretario a quantidade, ele brincou dizendo que queria uns 30.000! Qual foi a surpresa em receber posteriormente seu pedido completinho!

Na história, a menina orfã Lucia, cujo apelido é Narizinho Rebitado, vive num sítio com sua avó de setenta anos e uma empregada chamada Tia Anastácia. Ela tem uma boneca de pano "muito feiosa" chamada Emília. No fundo do quintal do sítio passa um ribeirão e é próximo a esse ribeirão que Lucia costuma tirar uma soneca. Certo dia, ela acorda de sua soneca e vê um peixe e um inseto conversando em cima de seu rosto. Ela descobre se tratar do Doutor Caramujo e do Príncipe Escamado, do Reino das Águas Claras. O príncipe convida Narizinho e sua boneca Emilia para conhecer o reino e lá elas vivem várias aventuras, inclusive com o Pequeno Polegar e a chata Dona Carochinha. Mas no final, ao escutar Tia Anástacia gritando seu nome, Narizinho descobre que tudo não passou de um sonho...

Na segunda parte adicionada, a história inicia com Narizinho e Emília chupando jabuticabas numa tarde. Sem querer, Narizinho acaba colocando na boca uma jabuticaba que tinha uma vespa dentro e leva uma ferroada na língua. Desesperada com a dor, Narizinho acaba esquecendo a boneca debaixo da árvore, que acompanha a morte e o enterro da vespa. Posteriormente, Narizinho dá a falante boneca Emília o título de Condessa de Três Estrelinhas e ambas recebe um convite da Rainha das Abelhas para visitar o seu reino. Ela e Narizinho visitam o mundo dos insetos, mas novamente no final Lobato termina escrevendo que tudo não passou de um sonho da menina.

Posteriormente, quando Monteiro Lobato percebeu que estava criando um novo mundo onde fantasia e realidade se misturavam plenamente, ele abandonou a ideia de que todas as aventuras fantasiosas no Reino das Águas Claras e no Reino das Abelhas fossem sonhos da menina, passando a indicar que toda a aventura aconteceu realmente para a menina e a boneca. Mais tarde, quando Monteiro Lobato incorporou a maioria de seus livros infantis da década de 1920 e começo da década de 1930 num só livro chamado As reinações de Narizinho (1931), a história de A menina do narizinho arrebitado passou a ser o capítulo "Narizinho Arrebitado", enquanto que a segunda parte publicada na edição escolar Narizinho Arrebitado passou a ser o capítulo "O Sítio do Picapau Amarelo". Apesar de ter uma participação insignificante, na segunda parte de Narizinho Arrebitado Lobato apresentou um novo personagem no universo que está começando a criar: Pedrinho, outro neto de Dona Benta, um garoto de dez anos que vive na cidade grande e que viria passar as férias escolares no Sítio do Picapau Amarelo.

Richard Matheson: Outros reinos (2011)

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Outros reinos é um livro de suspense e fantasia sobrenatural do escritor americano Richard Matheson [capas], publicado originalmente nos Estados Unidos em março de 2011 pela editora Tor Books com o título Other kingdoms

Famoso por sua série Meia-noite, o escritor Alex White, que adotou o nome Andrew Black, decide narrar uma experiência que beirou o surreal e aconteceu há 64 anos. A história inimaginável que ocorreu quando ele ainda era jovem é a mais pura verdade e mudou sua vida para sempre. Aos 18 anos, White, jovem soldado norte-americano, é ferido nas trincheiras da Primeira Guerra Mundial. Em vez de voltar para os Estados Unidos, ele se muda para Gatford, na Inglaterra, tentando escapar de seu pai e de seu passado. A bucólica aldeia inglesa parece o lugar ideal para que sua alma e seu corpo fechem as cicatrizes de guerra. Mas dizem que as florestas ao redor da cidade são habitadas por espíritos levianos e até malévolos. [fonte: orelha do livro]

Richard Matheson: Hell House - A casa infernal (1971)

Hell House: A casa infernal é um livro de terror do escritor americano Richard Matheson (1926-2013), publicado originalmente nos Estados Unidos em junho de 1971 pela editora The Viking Press com o título Hell House

Por mais de vinte anos, a Mansão Belasco permaneceu vazia. Tida como o "Monte Everest" das casas mal-assombradas, essa construção de aspecto imponente e sinistro testemunhou cenas inconcebíveis de horror e depravação. No passado, duas expedições com o propósito de investigar os segredos que a casa encerrava terminaram em assassinato, suicídio e loucura para seus integrantes. Agora, uma nova investigação tem lugar, levando quatro estranhos ao local interditado, determinados a esquadrinhar a Mansão Belasco em busca de respostas definitivas sobre a vida após a morte. Cada um dos membros da nova equipe tem suas próprias razões para enfrentar os tormentos e tentações indescritíveis da mansão; mas, será que alguém consegue sobreviver ao mal que espreita na casa mais assombrada do mundo? [fonte: contracapa da edição da editora Novo Século]

O livro foi adaptado para o cinema em 1973, A casa da noite eterna (The legend of Hell House), dirigido por John Hough e protagonizado por Roddy McDowall e Pamela Franklin. Além disso, a obra também foi adaptada em história em quadrinhos, numa minissérie (Richard Matheson's Hell House) escrita por Ian Edginton e desenhada por Simon Fraser. Foi publicada nos Estados Unidos em 2004 pela editora IDW Publishing. 

Richard Matheson: O incrível homem que encolheu (1956)

O incrível homem que encolheu é um livro de fantasia, aventura, terror e ficção científica do escritor americano Richard Matheson (1926-2013), publicado originalmente nos Estados Unidos em maio de 1956 pela editora Gold Metal Books com o título The shrinking man. A partir da década de 1980, o livro também passou a ser publicado nos Estados Unidos com o título The incredible shrinking man.

Centímetro por centímetro, dia a dia, Scott continua encolhendo sem parar. Sua esposa e família são agora gigantes inalcançáveis, o galo da casa, uma incrível ameaça; Scott precisa lutar pela sobrevivência em um mundo que se torna cada vez maior e mais perigoso - até se defrontar com o paroxismo do medo no limiar da não existência. [fonte: contracapa da edição da editora Novo Século]

O livro foi adaptado para o cinema em 1957, O incrível homem que encolheu (The incredible shrinking man), dirigido por Jack Arnold e protagonizado por Grant Williams. A obra serviu de base para o roteiro do filme A incrível mulher que encolheu (The incridible shrinking woman), dirigido por Joel Schumacher em 1981 e protagonizado por Lily Tomlin. Além disso, a obra também foi adaptada em história em quadrinhos, numa minissérie em 4 edições (Richard Matheson's The shrinking man) escrita por Ted Adams e desenhada por Mark Torrer. Foi publicada nos Estados Unidos em 2015 pela editora IDW Publishing. 

Richard Matheson: Amor além da vida (1978)

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Amor além da vida é um livro de fantasia espiritualista do escritor americano Richard Matheson (1926-2013), publicado originalmente nos Estados Unidos em setembro de 1978 pela editora G. P. Putman's Sons com o título What dreams may come.  

Chris é casado com Annie: formam um casal apaixonado. A felicidade dos dois se desvanece quando Chris sofre um acidente fatal. No Além, Chris é amparado e empenha-se em ajudar seu grande amor. Annie, em desespero, pretende dar fim à própria vida... Conheça a história completa de Annie e Chris e viva emoções ainda mais intensas! Descubra, entre dois mundos, a incrível força do amor para a qual não existem barreiras. [fonte: contracapa da edição da editora Buttlerfly]

O livro foi adaptado para o cinema em 1998, Amor além da vida (What dreams may come), dirigido por Vincent Ward e com Robin Williams e Annabella Sciorra interpretando o casal. 

Richard Matheson: Em algum lugar do passado (1975)

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Em algum lugar do passado é um livro de romance e fantasia (subgênero: viagem no tempo) do escritor americano Richard Matheson (1926-2013), publicado originalmente nos Estados Unidos em 1975 pela editora The Viking Press com o título Bid time return. A partir da década de 1980 o livro também passou a ser publicado nos Estados Unidos com o título de Somewhere in time.

Richard Collier é um jovem teatrólogo do século XX que se apaixona obsessivamente por uma fotografia de Elise McKenna, atriz de sucesso que viveu no século XIX, em Chicago. Richard fica tão encantado com a imagem de Elise que decide fazer uma pesquisa sobre a vida da artista, e descobre que ele têm muitas afinidades. Numa tentativa de se desligar do presente para viver essa paixão intensa, ele se submete a uma auto-hipnose que o transporta no tempo. Mas há um elemento-surpresa na regressão ao passado: Richard tem de enfrentar o empresário ciumento da atriz, William Fawcett. [fonte: contracapa da edição da editora BestBolso]

O livro foi adaptado para o cinema em 1980, Em algum lugar do passado (Somewhere in time), dirigido por Jeannot Szwarc e com Christopher Reeve e Jane Seymour nos papéis principais. A obra ganhou o prêmio World Fantasy Award de Melhor Romance, em 1976.

Richard Matheson - Eu sou a lenda / A última esperança sobre a Terra (1954)

Eu sou a lenda é um livro de horror e ficção científica do escritor americano Richard Matheson (1926-2013), publicado originalmente nos Estados Unidos em julho de 1954 pela editora Gold Medal Books com título I am legend. No Brasil, ele também foi publicado com o título e A última esperança sobre a Terra

Terminada a guerra, manifesta-se estranha epidemia, trazida pelas tempestades de poeira e pelos mosquitos. Durante o dia, as pessoas permancem em coma profundo; à noite, despertam repentinamente e saem em busca de alimento. Mas só de um: sangue. Médicos e cientistas não conseguem diagnosticar a enfermidade nem encontrar a cura. O que é mais grave: a epidemia se alastra rapidamente, desorganizando toda estrutura social. Todos ou quase todos acabam sendo atingidos pela nova Peste e a única solução é queimar os corpos numa gigantesca fornalha atômica: porque, de outra forma, os mortos retornam, sedentos de sangue. Em meio a esse pesadelo, um homem não foi contaminado, por ter adquirido uma espécie de imunidade. Robert Neville, então, empreende uma operação de extermínio dos sobreviventes e, ao mesmo tempo, procura descobrir a origem da misteriosa doença. Ela sempre existiu, mas tinha sido encoberta, através dos séculos, pelo manto da fantasia, da superstição e do medo. Transformara-se numa lenda sinistra o que não passava de um fenômeno natural: a infecção por um bacilo. E Robert Neville, refugiado numa casa à prova de vampiros, vai desmontando, um a um, os disfarces da lenda. Ele considera-se o último ser normal sobre a Terra. O último homem. Porém, um dia encontra Ruth, à luz do dia, e vê-se abalado por uma terrível revelação. [fonte: orelha da edição da editora Francisco Alves]

A obra foi o terceiro romance publicado do autor e influenciou no desenvolvimento das posteriores histórias de zumbis e de apocalipse mundial devido a contaminações por vírus/bactérias. Devido ao sucesso da história, o livro foi adaptado em filmes quatro vezes: Mortos que matam (1964, The last man on Earth), produção ítalo-americana dirigida por Ubaldo Ragona e Sidney Salkow e com Vincent Price no papel principal; A última esperança da Terra (1971, The Omega Man), produção americana dirigida por Boris Sagal e com Charlton Heston no papel principal; A batalha dos mortos (2007, I am Omega), produção americana dirigida por Griff Furst e com Mark Dacascos no papel principal; e Eu sou a lenda (2007, I am legend), produção americana dirigida por Francis Lawrence e com Will Smith no papel principal. Além disso, a obra também foi adaptada em histórias em quadrinhos, numa minissérie (Richard Matheson's I am legend) escrita por Steve Niles e desenhada por Elman Brown. Foi publicada nos Estados Unidos em 1991 pela editora Eclipse Comics. No Brasil, foi publicada em 2010 pela editora Devir, com o título Eu sou a lenda, em tradução de Marquito Maia.


Clássicos Zahar (coleção da Editora Zahar)


(por Daniel Medeiros Padovani) 


Tudo começou em 2001 com Mariana Zahar, neta de Jorge Zahar.

Mas vamos voltar um pouco mais no tempo. Em 1956 foi fundada no Rio de Janeiro a Zahar Editores, pelos irmãos Lucien, Jorge e Ernesto Zahar. A editora foi inaugurada oficialmente no ano seguinte, em 1957, tornando-se a pioneira no Brasil na publicação de livros de ciências humanas e sociais (história, filosofia, antropologia, sociologia, psicanálise, entre outras). A sociedade se dissolveu na década de 1970.  

Cerca de trinta anos depois, em janeiro de 1985, Jorge Zahar, aos 65 anos de idade, fundou a Jorge Zahar Editor, junto com os filhos Jorge Júnior e Ana Cristina, mantendo na nova editora a mesma linha editorial da antiga Zahar Editores. Em 2007, a Jorge Zahar Editor abriu seu catálogo para obras de interesse em geral, o que permitiu publicações na área de música, cinema, teatro, televisão, entre outras. Em 2010, a editora passou a operar debaixo do nome Zahar.

Mas voltemos para 2001. Mariana Zahar sempre foi aficionada pela personagem Alice, do clássico Alice no País das Maravilhas, do escritor inglês Lewis Carroll (1832-1898). Desde criança ela coleciona edições, cartões ou qualquer outra coisa que ela encontra sobre a personagem. O desejo dela era ver uma edição de Alice ser publicada pela editora de sua família. Mas como isso seria possível, ja que a editora não publicava ficção? Em 2001, já trabalhando a 10 anos na editora, ela tomou coragem e propôs para o conselho editorial que fosse publicado uma tradução da edição comentada por Martin Gardner (The annotated Alice - 1960, e More annotated Alice - 1990, reunidas em 1998). Esses comentários dava um ar de não ficção a obra, o que convenceu o conselho.

A tradução de Maria Luiza X. de A. Borges tornou-se um grande sucesso premiado, dando à tradutora o Jabuti de 2002 de Melhor Tradução. O sucesso abriu as portas para que outras edições comentadas de grandes clássicos da literatura mundial fossem traduzidas e publicadas, como por exemplo, as obras completas de Sherlock Holmes e Contos de Fadas. Com o livro O conde de Monte Cristo, do escritor francês Alexandre Dumas (1802-1870), a editora decidiu criar edições comentadas exclusivas, e nesse primeiro lançamento os responsáveis pelos comentários foram André Telles e Rodrigo Lacerda. 

E assim surgiu a consagrada coleção CLÁSSICOS ZAHAR, dirigida por Rodrigo Lacerda. Com suas edições comentadas, em capa dura e belíssimo tratamento gráfico, a coleção já conta com mais de 30 títulos no catálogo. Além disso, em 2010, a editora lançou novamente Alice (que inclui os dois livros da personagem) em edição de bolso, ainda em capa dura mas sem os comentários. A edição novamente foi um sucesso de vendas e isso abriu espaço para que outras obras da coleção também passasse a ser lançadas no formato de bolso.

Nota: Jorge Zahar faleceu na noite de 11 de junho de 1998, no hospital Pró-Cardíaco no Rio de Janeiro, devido a uma endocardite bacteriana.

Fontes para o texto introdutório:
  • Wikipédia pt. Jorge Zahar. Disponível em:<https://pt.wikipedia.org/wiki/Jorge_Zahar>. Acesso em: 13 out 2017.
  • Wikipédia pt. Zahar (editora). Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Zahar_(editora)>. Acesso em: 13 out 2017.
  • Zahar. Zahar, a tradição que se renova. Disponível em: <http://www.zahar.com.br/apresentacao/editora>. Acesso em: 13 out 2017.
  • Zahar. Perfil Jorge Zahar. Disponível em: <http://www.zahar.com.br/apresentacao/sobre-o-fundador>. Acesso em: 13 out 2017.
  • ZAHAR, Mariana. Uma visita de Alice à Zahar, 21 jul 2015. Disponível em: <http://www.zahar.com.br/blog/post/uma-visita-de-alice-zahar>. Acesso em: 13 out 2013.

Para as informações dos livros da coleção que serão mencionados nessa postagem a partir de agora, foram utilizadas as páginas eletrônicas dos livros na página da editora (www.zahar.com.br) e serão mencionadas assim que utilizadas. Sempre que um dos volumes da coleção já tiver o lançamento no formato de bolso serão mostradas as duas capas (primeiro a edição comentada e depois, à direita, a capa da versão bolso luxo). Os livros serão mencionados obedecendo a ordem alfabética dos títulos.