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Monteiro Lobato: O saci (1921) - 1ª Versão

O saci (O sacy, na grafia da época) é um livro infantil do escritor brasileiro Monteiro Lobato, publicado originalmente em 1921.

A narrativa volta aos personagens apresentados em A menina do narizinho arrebitado (1920). Nessa nova obra, o autor apresentou ao seu público um novo personagem, Pedrinho. O garoto é um primo de Narizinho, também neto de Dona Benta, que mora na cidade e vem passar as férias no sítio da avó. Após conversar com Tio Barnabé, Pedrinho decide capturar um saci. E seguindo as instruções de Tio Barnabé, ele consegue realizar a façanha. Assim, ele acompanha o folclórico ser no mistério da noite na floresta, onde consegue ver outros sacis, e ocultamente, um lobisomem, uma mula sem cabeça e a Iara. "Pedrinho e o Saci, após verem o ninho da sacizada, o lobisomem e a mula sem cabeça, resolvem, para satisfazer a curiosidade do menino, visitar a Cuca. Chegando à caverna da megera, surpreendem-na comendo uma criança (...). Após uma série de peripécias, aproveitando-se do sono profundo que, após o jantar, acomete o papão feminino, Saci e Pedrinho consegue subjugá-la, enrolando-a em um firme novelo de cipós. Para acordá-la, os dois se valem um recurso bastante truculento: espancam-lhe a cabeça com dois porretes, fazendo-a urrar de dor. Vencida, a Cuca se vê obrigada a regurgitar a criança engolida (...): era Narizinho." (CAMARGO, Evandro do Carmo. Algumas notas sobre a trajetória editorial de O Saci. In: LAJOLO, Marisa; CECCANTINI, João Luís (Orgs). Monteiro Lobato, livro a livro: Obra infantil, p. 91. São Paulo: Editora UNESP: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2009)

Note-se que a cena descrita acima para a aventura na caverna da Cuca é totalmente diferente da que é lida nas edições atuais de O saci: Narizinho não é comida e sim transformada em pedra, no momento do sono a Cuca é amarrada e colocam ela debaixo de um pingo d'água e após essa situação começar a lhe causar dor, ela conta como desencantar Narizinho. Essa nova descrição começou a aparecer após 1932, logo após Monteiro Lobato começar a reformular sua obra infantil com a publicação de Reinações de Narizinho. O saci também foi reformulado, passando de 38 páginas para 121 páginas e de 9 capítulos para 33 capítulos.

Nessa ampliação da obra, Pedrinho entra em contato com alguns animais da floresta, como a onça e a sucuri. Além disso, na misteriosa noite da floresta, outros seres folclóricos (os "duendes da floresta") são vistos pelo garoto após a meia noite: o jurupari, o curupira, o boitatá, o negrinho do pastoreio, a porca dos sete letões e a caipora. Nas edições da década de 1930, ainda aparecia o cauré, o uirapuru e o urutau.

Nessa postagem, as capas visualizadas são da primeira versão de O saci, entre 1921 e 1931, antes da ampliação ocorrida em 1932. Quanto as capas publicadas a partir de 1932, serão disponibilizadas em uma postagem posterior.

Monteiro Lobato: Fábulas de Narizinho (1921) e Fábulas (1922) - 1ª Versão

Fabulas de Narizinho. Monteiro Lobato. Editora Monteiro Lobato & Cia (São Paulo-SP). 1921. Ilustrações de Voltolino (Lemmo Lemmi).
Primeira Edição
Fábulas de Narizinho (Fabulas de Narizinho, na grafia da época) é uma antologia infantil de 29 fábulas selecionadas pelo escritor brasileiro Monteiro Lobato e publicado originalmente no Brasil em 1921 pela Monteiro Lobato & Cia - Editores. No ano seguinte, o autor publicou uma nova edição ampliada com 77 fábulas, alterando o título do livro para Fábulas (Fabulas, na grafia da época).

Os livros reúnem fábulas clássicas dos fabulistas Jean de La Fontaine (1621-1695, França) e Esopo (620 a.C.-564 a.C., Grécia), destacando as lições de moral de cada fábula em itálico. Além disso, Monteiro Lobato trouxe algumas fábulas inéditas de sua própria autoria. Em relação ao texto das fábulas clássicas, no final da primeira edição de Fábulas, Lobato escreveu um texto chamado "Advertência", onde menciona que deu uma forma sua às velhas fábulas de Esopo e La Fontaine, mirando contribuir para a criação da fábula brasileira, utilizando nelas a "nossa natureza e os nossos animais, sempre que isso for possível". Ele já havia mencionado essa intenção em 1916, em carta para Godofredo Rangel: "Ando com várias ideias. Uma: vestir à nacional as velhas fábulas de Esopo e La Fontaine, tudo em prosa e mexendo nas moralidades. Coisas para crianças. (...) Ora, um fabulário nosso, com bichos daqui em vez dos exóticos, se for feito com arte e talento dará coisa preciosa.

As capas apresentadas nessa postagem são das edições anteriores a 1943 (por isso, o título da postagem traz a expressão "1ª Versão"), já que a partir da edição desse ano (8ª Edição) o livro passou por uma reformulação para incluir na narrativa os personagens do Sítio do Picapau Amarelo, que já estavam consolidados na literatura infantil brasileira nessa época. Assim, a personagem Dona Benta passou a ser a narradora das fábulas, enquanto que os outros personagens do Sítio (Narizinho, Pedrinho, Emília, Visconde de Sabugosa e Tia Nastácia) comentavam sobre as fábulas narradas, tornando o texto mais dinâmico. Quanto as capas publicadas a partir de 1943, com os personagens do Sítio do Picapau Amarelo, serão disponibilizadas em uma postagem posterior.


Monteiro Lobato: A menina do narizinho arrebitado (1920) e Narizinho Arrebitado (1921)

a menina do narizinho arrebitado monteiro lobato
Google Fotos: Monteiro Lobato
A menina do narizinho arrebitado foi o primeiro livro infantil publicado pelo escritor brasileiro Monteiro Lobato, em dezembro de 1920, pela editora Monteiro Lobato & Cia. O livro foi incorporado posteriormente, em 1931, no livro As reinações de Narizinho

Em A menina do narizinho arrebitado, Monteiro Lobato apresenta pela primeira vez seus personagens do Sítio do Picapau Amarelo que se consagrariam posteriormente: a garota Lucia (ou Narizinho Rebitado), sua boneca de pano Emília, sua avó de 70 anos (que nesse primeiro livro ainda não tem nome) e a cozinheira Tia Anastácia. É interessante notar que nesse primeiro livro a boneca Emília ainda não fala, diferente de edições posteriores do mesmo livro e de outros livros com a personagem. 

Monteiro Lobato republicou a história em duas partes na sua "Revista do Brasil", nas edições de janeiro e fevereiro de 1921, logo após seu lançamento com livro em dezembro de 1920. Na revista a história foi publicada com o título "Lucia ou A menina do narizinho arrebitado". O livro foi um sucesso em sua primeira edição e isso empolgou o editor Monteiro Lobato. Por essa razão, ele reescreveu o livro, acrescentando muitas novas histórias (o número de páginas aumentou para 181, ante 43 da edição original). Assim, a boneca Emília começa a falar após tomar uma pílula do Doutor Caramujo e a avó de Narizinho ganha um nome, Dona Benta. 

Enquanto a obra original era cheia de ilustrações coloridas (o subtítulo da obra era "Livro de Figuras"), a nova edição ampliada era de um custo menor, sem gravuras coloridas e em papel jornal. Isso se deve porque Monteiro Lobato decidiu alcançar o público escolar, um dos maiores consumidores de livros infantojuvenis. O livro foi lançado em abril de 1921 com um novo título simplificado Narizinho Arrebitado e subtítulo "Segundo livro de leitura para uso das escolas primárias". Com a publicação de Narizinho Arrebitado, Monteiro Lobato arriscou como editor, já que, ao invés de imprimir os 5 ou 10 mil exemplares que já seria uma tiragem alta para a época, ele imprimiu 50.500 exemplares! Ele distribuiu 500 cópias para as escolas paulistas e o livro fez sucesso entre os alunos. Quando o governador do estado, Washington Luís, visitou algumas escolas e ficou impressionado com o interesse das crianças no título, solicitou a seu Secretário do Interior, Alarico Silveira, que entrasse em contato com o escritor e comprasse o livro para todas as escolas paulistas. Quando Lobato perguntou ao secretario a quantidade, ele brincou dizendo que queria uns 30.000! Qual foi a surpresa em receber posteriormente seu pedido completinho!

Na história, a menina orfã Lucia, cujo apelido é Narizinho Rebitado, vive num sítio com sua avó de setenta anos e uma empregada chamada Tia Anastácia. Ela tem uma boneca de pano "muito feiosa" chamada Emília. No fundo do quintal do sítio passa um ribeirão e é próximo a esse ribeirão que Lucia costuma tirar uma soneca. Certo dia, ela acorda de sua soneca e vê um peixe e um inseto conversando em cima de seu rosto. Ela descobre se tratar do Doutor Caramujo e do Príncipe Escamado, do Reino das Águas Claras. O príncipe convida Narizinho e sua boneca Emilia para conhecer o reino e lá elas vivem várias aventuras, inclusive com o Pequeno Polegar e a chata Dona Carochinha. Mas no final, ao escutar Tia Anástacia gritando seu nome, Narizinho descobre que tudo não passou de um sonho...

Na segunda parte adicionada, a história inicia com Narizinho e Emília chupando jabuticabas numa tarde. Sem querer, Narizinho acaba colocando na boca uma jabuticaba que tinha uma vespa dentro e leva uma ferroada na língua. Desesperada com a dor, Narizinho acaba esquecendo a boneca debaixo da árvore, que acompanha a morte e o enterro da vespa. Posteriormente, Narizinho dá a falante boneca Emília o título de Condessa de Três Estrelinhas e ambas recebe um convite da Rainha das Abelhas para visitar o seu reino. Ela e Narizinho visitam o mundo dos insetos, mas novamente no final Lobato termina escrevendo que tudo não passou de um sonho da menina.

Posteriormente, quando Monteiro Lobato percebeu que estava criando um novo mundo onde fantasia e realidade se misturavam plenamente, ele abandonou a ideia de que todas as aventuras fantasiosas no Reino das Águas Claras e no Reino das Abelhas fossem sonhos da menina, passando a indicar que toda a aventura aconteceu realmente para a menina e a boneca. Mais tarde, quando Monteiro Lobato incorporou a maioria de seus livros infantis da década de 1920 e começo da década de 1930 num só livro chamado As reinações de Narizinho (1931), a história de A menina do narizinho arrebitado passou a ser o capítulo "Narizinho Arrebitado", enquanto que a segunda parte publicada na edição escolar Narizinho Arrebitado passou a ser o capítulo "O Sítio do Picapau Amarelo". Apesar de ter uma participação insignificante, na segunda parte de Narizinho Arrebitado Lobato apresentou um novo personagem no universo que estava começando a criar: Pedrinho, outro neto de Dona Benta, um garoto de dez anos que vive na cidade grande e que viria passar as férias escolares no Sítio do Picapau Amarelo.

Richard Matheson: Outros reinos (2011)

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Outros reinos é um livro de suspense e fantasia sobrenatural do escritor americano Richard Matheson [capas], publicado originalmente nos Estados Unidos em março de 2011 pela editora Tor Books com o título Other kingdoms

Famoso por sua série Meia-noite, o escritor Alex White, que adotou o nome Andrew Black, decide narrar uma experiência que beirou o surreal e aconteceu há 64 anos. A história inimaginável que ocorreu quando ele ainda era jovem é a mais pura verdade e mudou sua vida para sempre. Aos 18 anos, White, jovem soldado norte-americano, é ferido nas trincheiras da Primeira Guerra Mundial. Em vez de voltar para os Estados Unidos, ele se muda para Gatford, na Inglaterra, tentando escapar de seu pai e de seu passado. A bucólica aldeia inglesa parece o lugar ideal para que sua alma e seu corpo fechem as cicatrizes de guerra. Mas dizem que as florestas ao redor da cidade são habitadas por espíritos levianos e até malévolos. [fonte: orelha do livro]